O Asian Contents & Film Market (ACFM), braço de negócios do Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul, acontece de 10 a 13 de outubro no centro de convenções BEXCO e traz uma novidade: a Tailândia é o primeiro País Homenageado (Country of Honor) da história do mercado, segundo o comunicado do próprio festival. É a 21ª edição do ACFM, dentro da 31ª edição do festival, que vai de 6 a 15 de outubro.
Por que a Tailândia foi a escolhida
A escolha foi anunciada em 20 de agosto e, segundo a Nocut News, corresponde ao nível mais alto de parceria nacional do mercado. A ideia é ligar os mercados e fundos do evento (Sales Market, Asian Project Market, Busan Story Market e Asian Cinema Fund) à indústria de conteúdo de um único país, com foco em investimento, coprodução internacional e negócios com propriedade intelectual. A reportagem aponta o que torna a Tailândia atraente: apoio crescente do governo ao setor, mais de 540 produções estrangeiras feitas no país no ano passado, reembolso de até 30% para produções estrangeiras que se qualificam e investimento contínuo da Netflix, com vários títulos tailandeses no Top 10 global.
O presidente do ACFM, Kim Young-deok, afirmou que o programa vai conectar a estratégia de soft power da Tailândia a negócios concretos em vendas, investimento e coprodução (paráfrase da declaração publicada pela Nocut News).
Na prática, o comunicado do festival descreve um Pavilhão da Tailândia no centro do Sales Market, a apresentação de cinco longas tailandeses com potencial de remake no Busan Story Market, o painel “Thailand: The Next Chapter”, voltado à propriedade intelectual original e a produtores emergentes, e uma recepção de abertura organizada em conjunto com o país.
Do lado tailandês, o Departamento de Promoção do Comércio Internacional (DITP), ligado ao Ministério do Comércio, informou que leva 20 empresas ao pavilhão para rodadas de negócios, organizado com o Departamento de Promoção Cultural. O órgão também retoma a Thai Night, evento de networking suspenso desde 2020, marcado para 11 de outubro no Park Hyatt Busan, com o tema “Reimagining Thailand” e abertura presidida pela princesa Ubolratana Rajakanya Sirivadhana Barnavadi. O DITP apoiou a presença tailandesa no ACFM de 2012 a 2019.
IA generativa e microdramas no programa
Fora do eixo tailandês, os temas que mais chamam atenção estão no InnoAsia, programa do mercado dedicado a tecnologia. De acordo com a Variety, em texto republicado pelo Welcome.AI, há uma sessão feita com a Kling AI, “New Cinematic Possibilities: Reimagining Filmmaking with Kling AI”, e dois painéis sobre microdramas, narrativas curtas pensadas para o consumo rápido, muitas vezes em redes sociais. Um é “The Evolution of Microdrama: China & Beyond”. O outro é “Rags 2 Richmond: From Viral Microdrama to Feature Film, and the Future of Trans-Media IP”, que trata da passagem do formato curto para longas-metragens e franquias.
O comunicado do festival também traz as expectativas de tamanho: mais de 1.200 empresas de 58 países e cerca de 3.000 profissionais. O Sales Market tem 339 expositores, 17% a mais que no ano anterior. O Producer Hub tem o Japão como país de foco, com 10 produtores japoneses apresentando projetos, e a plataforma Platform BUSAN deve apoiar cerca de 120 realizadores asiáticos em início de carreira. A premiação integrada do ACFM, marcada para 13 de outubro, tem 18 categorias e cerca de 490 milhões de wons sul-coreanos em prêmios em dinheiro e apoio à produção e à pós-produção. Esses são números previstos antes do evento, não balanço de negócios fechados.

O que acontece em volta do mercado
O festival segue em paralelo, e dois nomes do programa de master classes foram citados na cobertura do dia de abertura do mercado. Pela programação do dia 10 no site do festival, o diretor francês Bertrand Mandico fala às 11h e o mestre da animação japonesa Rintaro às 14h, no Culture Hall do Shinsegae Centum City. As master classes são do festival, não do ACFM.

Rintaro participa de um recorte especial de animação japonesa, com 13 filmes, e, segundo a Outlook India, faz sua primeira visita à Coreia do Sul em 17 anos. Mandico apresenta “Roma Elastica” na seção Icons, de acordo com a Unifrance, que lista cerca de 60 filmes franceses ou coproduzidos pela França no festival.
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Pitaya